A manifestação, que vem se espalhando pelo mundo, começou a partir de um acontecimento numa universidade de Tornonto, no Canadá. Em uma palestra, um policial recomendou que as estudantes deveriam evitar vestirem-se como vagabundas, para não serem vítimas de assédio sexual ou estupro. A afirmação desse policial deu inicio a slutwalk: a tradução literal de slut é "vagabunda" ou "vadia". O termo "vadia" ou "vagabunda" esta diretamente relacionado à mulheres sexualmente ativas, diferentemente do termo "vadio" ou "vagabundo" que se refe aos homens que não gostam de trabalhar.
Há uma discussão importante mantida na tradução para o português. De certa forma, nos movimentos feministas da década de 1960 havia um certo movimento de masculinização da mulher e os movimentos feministas ficaram estigamatizados. Mas o inverso também é perigoso: sob o risco de caírmos num papo raso de filmes como "Legalmente loira" (Legally Blonde). No filme a atriz Reese Witherspoon é uma moça rica e mimada que resolve fazer direito em Harvard após ter sido abandonada pelo noivo. Apesar de ser um bom divertimento para a sessão da tarde, o filme se propõe a descontruir a visão da loira burra com um argumento muito fraco e carregado de preconceito.
Ao longo da história, o corpo feminino tem sido alvo de absurdos cometidos em prol da religião e do capitalismo. Isso também ocorre dentro da história da arte. Afirmações como "gênios da pintura" reforçam diferenças de gênero. Frase como: "se a sociedade é machista, é por conta da educação que as mães dão aos homens", coloca a educação como se fosse responsabilidade apenas da mulher, algo totalmente deslocado do meio sociocultural e histórico.
Vadias: uni-vos! Afirmações que enxergam a marcha como tendo a atração principal o uso de roupas "provocantes" devem ser esclarecidas e discutidas. Nada justifica um ato de violência sexual. Nenhuma mulher é estuprável. Não é a vítima que deve ser culpabilizada por um ato como um estupro. Contra isso devemos lutar. Aspectos culturais precisam ser desmistificados, começando por nossas atitudes e dizeres diários, repensando nossos paradigmas, devemos cuidar ao usar termos pejorativos contra as mulheres, desfazendo o binômio santa x puta.
Artemisia Gentileschi foi uma pintora italiana do período barroco pouco mencionada nas aulas de História da Arte. Artemisia é importante não só pela qualidade do seu trabalho, mas pela visão dos fatos históricos que a sua biografia pode nos oferecer. No artigo 'PEDAGOGIAS VISUAIS DO FEMININO: arte, imagens e docência', Luciana Grupelli Loponte nos oferece uma visão do que a pintura de Artemesia pode nos oferecer. No texto, Loponte nos oferece a oposição do mesmo acontecimento da cena do quadro 'Susana e os velhos'. Pintada por Tintoretto (1518-1594) Susana apresenta uma atitude passiva frente ao acontecimento eminente: um estupro.
Brasil, "o país do carnaval", o contrasenso é ser contra a lei, atentado ao pudor, fazer top less. Mas a questão é quem esta fazendo uso do corpo da mulher? A mídia e o marketing fazem uso indiscriminado do corpo feminino e da feminilidade. O grupo artístitico norte americando denominado Guerrila Girls, atuante desde da década de 1980, se mantém individualmente anônimo e diz atuar como Robin Hood, a mulher-maravilha e o batman. Suas integrantes se caraterizam por usarem uma máscara de gorila na cabeça. O cartaz ao lado questiona o uso do corpo feminino dentro de museus. "As mulheres precisam estar nuas para entrarem em um museu?"
Ao longo da história, o corpo feminino tem sido alvo de absurdos cometidos em prol da religião e do capitalismo. Isso também ocorre dentro da história da arte. Afirmações como "gênios da pintura" reforçam diferenças de gênero. Frase como: "se a sociedade é machista, é por conta da educação que as mães dão aos homens", coloca a educação como se fosse responsabilidade apenas da mulher, algo totalmente deslocado do meio sociocultural e histórico.
Vadias: uni-vos! Afirmações que enxergam a marcha como tendo a atração principal o uso de roupas "provocantes" devem ser esclarecidas e discutidas. Nada justifica um ato de violência sexual. Nenhuma mulher é estuprável. Não é a vítima que deve ser culpabilizada por um ato como um estupro. Contra isso devemos lutar. Aspectos culturais precisam ser desmistificados, começando por nossas atitudes e dizeres diários, repensando nossos paradigmas, devemos cuidar ao usar termos pejorativos contra as mulheres, desfazendo o binômio santa x puta.
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Susana e os velhos, 1610
Artemisia Gentileschi

O quê? Marcha das Vadias
Data: 10/03/2012
Local: Concentração partindo da Esquina Democrática (Chafariz do Calçadão), em Pelotas
Horário: 11 horas
E dia 11/030/2012 tem o REAGE - Festival da Cultura Feminina, na Rua Conde de Porto Alegre com Alberto Rosa, após 15h. Contanto com a presença da feira ao quadrado.
Mais informações:
Acesso ao texto da Luciana Grupelli Loponte, na íntegra: PEDAGOGIAS VISUAIS DO FEMININO: arte, imagens e docência http://www.curriculosemfronteiras.org/vol8iss2articles/loponte.pdf
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texto: Roberta Benevit
contato: rbeneart@gmail.com
ou feiraaoquadrado@gmail.com
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